Do outro lado da reserva uma jovem com altura entorno de 1,83, cabelo castanho escuro; cheio de cachos desarrumados que deslizam por sobre sua pele clara; algumas sardas na maçã do rosto, realçando seus belos olhos verdes cor de esmeralda tudo combinando com os traços delicados de rosto que desenhavam seus lábios rosados de forma mediana. Alguns cachos alcançam o seu belo colo desnudo, pela blusa de alças básica preta, que revela suas curvas bem acentuadas que não combina em nada com a calça de estampa militar um pouco folgada e as pesadas botas West Coast marrom. Isobel observava a fogueira da janela de seu quarto, imaginando quem estaria acordado a essa hora assando marshmallow. Acabou por esboçar um sorriso tímido seguido de um nome dito em um fio de voz:
-Yuri.
Ele era o único lupino daquele lado da reserva que poderia estar bem mesmo sozinho, ou pelo menos aparentava. Apesar das divergências familiares, eles conseguiram ser amigos na infância, pena que o receio de seu tutor Elliot e a insanidade do pai do rapaz tenham encoberto esses laços.
Porém, mesmo prometendo a Elliot fica longe dos Bloodstar, e ao seu pai livrar o mundo desta praga, que por sinal incluía Yuri à lista, não conseguia mentir para si mesma sobre ele. Afinal, mesmo sendo criado naquele covil, ele tem um bom coração.
Isobel se afastou da janela dando alguns passos em direção a porta, ao sair encostou-a vagarosamente para que não fizesse barulho, caminhou pelo corredor cuidadosamente. Desceu as escadas com passos delicados, tentando ao mínimo fazer algum barulho. Tudo que não queria era acordar seu irmão Pietro e Elliot.
Ao chegar à sala foi rapidamente para a porta dos fundos e com o máximo de cuidado abriu, saiu e fechou, evitando fazer sons, nem ao menos respirava direito com medo de acordar alguém. Do lado de fora percebeu como estava frio, pois quando respirou pode ver claramente a fumaça saindo dos seus lábios, mas não se intimidou a ponto de voltar, pois está sendo guiada por um laço de amizade extremamente forte. Aqueceu um pouco as mãos uma na outra a levou até a boca soprando ar quente nelas enquanto caminhava pela reserva. Passou pelas grandes arvores de pinho e eucalipto que lhes deixaram um perfume silvestre.
Para se guiar pela trilha Isobel contou com a luz da Lua guiando seus passos. Mesmo não sendo precisa, ela conseguiu andar sem muitos acidentes, desviando-se das pedras e raízes mais perigosas, porem não conseguiu se esquivar dos galhos que acabaram deixando marcas de terras em seu rosto e também prendendo em seus cabelos os deixando mais bagunçados e agora com uma decoração selvagem de galhos e pequenas flores brancas. Foi desta forma que Isobel surgiu na clareira, parecendo-se com um esquilo perdido a uma garota.
Quando surgiu diante de Yuri, pode observar a posição do rapaz, sentado sozinho, diante da chama. Ficou quieta alguns segundos analisando sua expressão facial, pode concluir que ele estava no mínimo triste.
O desejo infantil pedia que ela se aproximasse pulando em seu pescoço, mas a racionalidade adulta travou suas pernas, o fato e que já fazia muito tempo que não se aproxima de Yuri sem aquela intenção de feri-lo, então permaneceu parada do outro lado da fogueira. Estava ainda próxima à trilha caso ele a atacasse. Respirou profundamente e mesmo com receio não se intimidou e resolveu iniciar o diálogo da mesma forma que faria com seu irmão:
- Nossa, pensei que ia jantar algum caçador desavisado dos perigos da floresta, mas olha só quem eu encontro: A versão lupina do “Hachi”, esperando algum fantasma? Ou querendo incendiar a floresta.
Yuri estava parado ainda, sentiu o fogo se extinguindo então esticou o braço pegando um galho seco ao seu lado e jogou sobre a fogueira. Viu as brasas pularem no ar e o fogo crescer. Piscou algumas vezes ao ver a silhueta atrás das chamas, forçou a vista e poder reconhecer Isobel.
Sentiu-se um tolo por estar tão disperso que nem sentira sua chegada. Fechou os olhos e ficou ouviu de sua voz, o tom que usava, mesmo quando estava tentando ser engraçada falando sobre fantasmas, afinal naquele momento Yuri estava rodeado deles.
Deu um pequeno sorriso de canto de boca e inclinou-se para trás, apoiando em seus braços e olhando para os olhos da garota, gostava de uma boa briga, mas não estava com nenhum pique.
- Creio que os dois, mais os “fantasmas” chegaram primeiro. O que quer? Sentiu falta de levar umas palmadas ou preferiu vir se render?
A voz era tranquila e sem nenhum pingo de humor, moveu a cabeça para trás deixando o pescoço bem a mostra para Isobel. Yuri estava se rendendo? Provavelmente afinal sempre fora mais forte que ela.
Mantendo seu sorriso sínico Yuri lembrou-se da sua ultima briga, as palavras, os socos que ela lhe deu e também a forma que ela ficou ao ter sido presa e seus gritos e ofensas ao levar umas palmadas na bunda. No fundo Yuri sabia qual seria o resultado numa briga real entre os dois, mas balançou a cabeça negando algo.
- Já ouviu as novidades? – Sua voz agora tinha uma dor que ela nunca ouvira falar, afinal Yuri mantinha bem seus sentimentos ocultos. – O grande e poderoso Johann agora esta onde não poderá mais machucar ninguém... Idiota!
Seus olhos estavam fixos nela, assim podia ver cada reação a suas palavras.
- Pode comemorar... Que tal levar a cabeça de outro Bloodstar e ser uma heroína?
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